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Working holiday para brasileiros: o que existe de verdade

10 de junho de 20268 min de leitura

Digita 'working holiday Brasil' no Google e você encontra listas animadas com dez, quinze destinos. O problema é que boa parte deles não oferece nenhum visto de trabalho acessível para brasileiros — ou o acordo existe no papel mas ainda não está em vigor. Este guia parte do que é verificável em fontes oficiais em 2026 e nomeia explicitamente o que não existe. A ideia não é desanimar, mas economizar o seu tempo: planejar meses a partir de uma informação errada dói mais do que saber logo de cara.

O que é um visto working holiday — e por que brasileiros têm menos opções

Um visto working holiday (ou 'visto de férias e trabalho', como o Itamaraty chama) é um acordo bilateral entre dois países que permite ao jovem cidadão de um país viver e trabalhar livremente no outro por até 12 meses, sem precisar de oferta de emprego prévia. A maioria dos países anglosaxônicos criou esses programas há décadas — mas os acordos com o Brasil vieram bem mais tarde, e alguns nunca saíram do papel.

Canadá não tem acordo bilateral de working holiday com o Brasil. O programa canadense se chama IEC (International Experience Canada) e, em 2026, o Brasil não está entre os países elegíveis. Não existe 'IEC para brasileiros'. Japão também não tem acordo de working holiday com o Brasil — a lista de 32 países parceiros do Japão não inclui brasileiros. Portugal, curiosamente, também não tem um acordo de mobilidade jovem ativo com o Brasil para este tipo de visto. Irlanda não inclui o Brasil no seu Working Holiday Authorisation. Qualquer blog que liste esses destinos como opções para brasileiros está errado.

  • Canadá IEC: Brasil NÃO é elegível em 2026
  • Japão Working Holiday: Brasil NÃO está entre os 32 países parceiros
  • Portugal Mobilidade Jovem: Brasil NÃO tem acordo ativo para este visto
  • Irlanda Working Holiday Authorisation: Brasil NÃO está incluído
  • Austrália 417 (Working Holiday): aberto apenas para passaportes de países específicos como Reino Unido, Irlanda, Canadá — Brasil NÃO está incluído

Nova Zelândia: o destino mais concorrido — e por que você precisa estar pronto na hora certa

A Nova Zelândia tem um programa de working holiday com o Brasil desde 2014, gerenciado pela Immigration New Zealand. É o destino working holiday mais procurado por brasileiros — e também o mais limitado: a cota anual é de apenas 300 vagas para brasileiros. Em 2025, essas 300 vagas se esgotaram em menos de oito minutos após a abertura.

Para 2026, a Immigration New Zealand confirmou a abertura da cota brasileira para 8 de outubro de 2026 às 10h00 horário de Auckland (NZDT), que equivale a aproximadamente 23h00 do dia 7 de outubro no horário de Brasília. Estar logado na sua conta online.immigration.govt.nz antes do horário de abertura não é opcional — é a diferença entre conseguir e não conseguir.

Os requisitos principais são: ter entre 18 e 30 anos no momento da aplicação, possuir passaporte brasileiro válido, comprovar pelo menos NZD 4.200 em conta (equivalente a cerca de R$ 14.000 no câmbio atual), ter seguro médico válido pelo período de estada e, se tiver vivido seis meses ou mais em país de risco de tuberculose (o que inclui o Brasil), apresentar raio-X do tórax. O visto permite trabalhar para qualquer empregador e vivir na Nova Zelândia por até 12 meses.

  • Cota 2026: 300 vagas para brasileiros — as vagas de 2025 esgotaram em menos de 8 minutos
  • Data de abertura 2026: 8 de outubro às 10h00 NZDT (≈ 23h00 de 7 de outubro, horário de Brasília)
  • Idade: 18 a 30 anos no momento da aplicação
  • Fundos mínimos: NZD 4.200 (mais passagem de volta ou fundos para comprá-la)
  • Raio-X do tórax: obrigatório se você viveu 6+ meses em país de risco de tuberculose
  • Seguro médico: obrigatório pelo período total de estada
  • Duração: até 12 meses, uma única vez

França, Alemanha e Austrália 462: os outros destinos verificados

França — Visto Férias-Trabalho (PVT): o acordo bilateral entre Brasil e França está em vigor e tem campanha ativa em 2026. O programa é administrado pelos Consulados Gerais franceses no Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre), cada um com cota própria. As inscrições abrem regionalmente — a campanha do Nordeste, por exemplo, abriu em janeiro de 2026. Os requisitos incluem: ter entre 18 e 30 anos, comprovar pelo menos €2.500 em conta e ter seguro de saúde. Atenção: as cotas se esgotam rapidamente, principalmente no consulado de São Paulo. O visto permite trabalhar legalmente por até 12 meses.

Alemanha — Working Holiday Visa: a Alemanha tem acordo bilateral de working holiday com o Brasil em vigor. Brasileiros entre 18 e 30 anos podem solicitar o visto diretamente nas missões diplomáticas alemãs no Brasil (em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife). O visto permite ficar por até 12 meses, com possibilidade de trabalhar para custear a estada. Há restrição: não é permitido trabalhar para o mesmo empregador por mais de seis meses.

Austrália — Work and Holiday visa (subclasse 462): o Brasil está entre os países elegíveis para o visto 462 — diferente do visto 417, que é reservado para outros passaportes. A cota anual para brasileiros é de 500 vagas. Para se candidatar, é necessário ter entre 18 e 30 anos, comprovar pelo menos AUD 5.000, apresentar comprovante de pelo menos dois anos de ensino superior completo e demonstrar proficiência em inglês (geralmente IELTS ou PTE). O processo em 2026 envolve um pré-registro por sorteio — verifique o status da cota no site do Department of Home Affairs antes de planejar, pois a cota pode estar fechada ou pausada dependendo do período.

  • França: 18–30 anos, €2.500 em conta, seguro saúde, cotas por consulado — aberto em 2026
  • Alemanha: 18–30 anos, aplicação nas missões alemãs no Brasil, até 12 meses, máximo 6 meses no mesmo empregador
  • Austrália 462: 18–30 anos, AUD 5.000, 2 anos de ensino superior, inglês comprovado, cota de 500 vagas/ano — verifique status da cota antes de planejar

O caminho que muitos brasileiros usam: estudo + trabalho na Irlanda

Como a Irlanda não tem acordo de working holiday com o Brasil, o caminho mais comum para quem quer viver e trabalhar lá é o visto de estudante com permissão de trabalho parcial. Cursos de inglês na Irlanda permitem trabalhar até 20 horas por semana durante o curso e 40 horas por semana nas férias escolares — suficiente para bancar boa parte dos custos. Não é um working holiday no sentido estrito, mas na prática funciona de forma parecida para quem quer experiência internacional em inglês. Vale lembrar: a Irlanda entrou para a lista de países isentos de visto de turismo para brasileiros em 2026, o que facilita a entrada para quem quer conhecer o país antes de decidir.

Como a Tern ajuda

Independente do destino, a Tern resolve dois problemas práticos que aparecem cedo: abrir conta antes de chegar e mandar dinheiro do Brasil com câmbio justo.

Com a Tern você abre sua conta multicurrency pelo celular antes de embarcar — só precisa do passaporte e da aprovação do visto. Chega na Nova Zelândia, na França ou na Alemanha já com número de conta para passar ao empregador no primeiro dia. As transferências do Brasil para a sua conta Tern usam a taxa de câmbio real (mid-market rate), sem margem escondida — o mesmo câmbio que você vê no Google. E saques em caixas eletrônicos locais não têm taxa de ATM. Para quem está de olho na cota da NZ e sabe que cada real conta, isso não é detalhe.

Brasileiros podem fazer working holiday no Canadá?+

Não. O Canadá tem o programa IEC (International Experience Canada), mas o Brasil não está entre os países elegíveis em 2026. Não existe visto de working holiday para brasileiros no Canadá. Quem quer trabalhar lá precisa de outras categorias de visto de trabalho, que geralmente exigem oferta de emprego prévia ou qualificação específica.

A cota da Nova Zelândia é 300 vagas por ano — se eu perder a abertura, posso tentar de novo no mesmo ano?+

Não. Uma vez que as 300 vagas da cota brasileira se esgotam, a abertura daquele ano está encerrada. As vagas de 2025 duraram menos de oito minutos. A única alternativa é tentar na abertura do ano seguinte. Por isso a estratégia de estar logado na conta online.immigration.govt.nz antes do horário exato de abertura é essencial.

Posso fazer working holiday na Nova Zelândia mais de uma vez?+

Não. O visto working holiday da Nova Zelândia para brasileiros é emitido uma única vez por pessoa. Diferente da Austrália (onde é possível solicitar um segundo e até terceiro visto 462 cumprindo requisitos de trabalho regional), a Nova Zelândia não tem segunda chance. Vale muito a pena usar bem os 12 meses.

Chegue com tudo resolvido

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Este guia é informação geral, não é consultoria financeira nem de imigração. Regras e valores mudam — confira sempre as fontes oficiais acima.